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3 Pontos de Vista

No Ginásio a desafiar o Newton!

Aproveitando um jogo de sedução entre a Kiki e o Holmes Place, despoletado pela Lola que já é sócia deste ginásio, lá fomos as 3 para um “Programa 3PV”. O dia escolhido não podia ter sido mais acertado, pois todas tínhamos tido um dia bem recheadinho de “suga-energias”.


Lola e Duda saíram a correr do trabalho, Kiki vinda de uma fugidia visita ao dentista (sim, aos 30’s os dentes já partem), rumo ao momento que iria salvar o dia. O conceito definido era um programa zen, iniciar com uma aula de anti-gravity, seguida de um momento de jacuzzi e banho turco.


O Anti-gravity, uma estreia para todas, foi sentida pelas 3, de 3 perspetivas diferenciadas obviamente. Uma mais aventureira, outra mais cautelosa e a outra mais integrada, como vão poder perceber pelos 3 Pontos de Vista relatados. Mas, antes disso, e porque este é também um espaço informativo, uma breve explicação do que é esta modalidade:

Anti-Gravity é a mais recente tendência do treino em suspensão! Citando a explicação apresentada no site do Clube que nos recebeu – Holmes Place do Parque das Nações - “A chave é o pano que é utilizado durante a prática, que atua como sistema de apoio. O AntiGravity® proporciona um treino que permite alongar e fortalecer os músculos sem sobrecarregar as articulações ou comprimir as vértebras.” e “Tem duas vertentes, uma mais holística e inspirada nas técnicas do yoga, e uma vertente mais fitness, onde o objetivo é tonificação muscular.”.


Seguiu-se o momento de jacuzzi e banho turco que, tendo sido obviamente relaxante, nos apraz fazer alguns comentários e citações. Foi notória uma rebeldia, esta transversal às gerações, de tentarmos escapar sem utilizar a horrorosa touca que nos obrigam a enfiar na cabeça nestes sítios. Ainda borbulhámos no jacuzzi durante uns minutos, até nos terem dado um “ralhete”, sendo que ficou a dúvida se o o verdadeiro motivo do ralhete seria realmente a ausência de touca ou o excesso de animação. Bem, também foi na hora certa, pois o Ponto de Vista dos 40’s considerava “que já estávamos a cozer” (by Duda). Teimosinhas, como qualquer mulher, também não fomos colocar a touca, fomos sim animar o banho turco, onde não aguentámos muito tempo, pois a gestão entre a dificuldade em respirar, a vontade de rir, a excessiva animação e a expulsão de tabaco que o corpo da Duda estava a fazer, não foi possível e tivemos que nos render e retirar, não estivéssemos a correr o risco de ser expulsas e deixarmos a Lola mal vista e com uma crise de arrepios de vergonha alheia.


Entre experiências partilhadas e muitas gargalhadas, interessa perceber como cada Ponto de Vista viveu e sentiu esta nova modalidade.

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Lola…

Se a Pink, a Gwyneth Paltrow e a Chelsea Handler fazem e recomendam, porque é que não hei-de experimentar?...


Pronto…quando dou por mim, lá estou eu em cima de um “lençol” pendurada a baloiçar…que apesar de ainda estar nos 20’s já não o fazia há algum tempo…o rabo começa a ganhar forma e a deixar de caber nos baloiços e portanto essa é toda uma realidade que desaparece da nossa infanto-adolescência.


O Anti-Gravity antes de mais não se faz com lençol nenhum, trata-se de uma faixa de tecido de seda que serve de sistema de apoio. Não posso negar que assim que caio em mim e que percebo que realmente estou na aula, que comecei a ficar um bocado preocupada…no fundo a aula consiste na minha relação com aquele bocado de tecido no qual a professora do Holmes Place me quis convencer a confiar nele. “Não me inspiras confiança nenhuma!”, penso logo para mim a franzir o nariz…mas mais 10 minutos, já o tratava por tu e já me mandava para ele de braços abertos. É sem dúvida uma aula diferente, pelo menos diferente do que estou habituada a fazer. Senti-me leve, descontraída, a divertir-me e acima de tudo, como pediu a professora no início da aula, a esquecer-me das agitações do dia-a-dia no trabalho.


É portanto uma aula que eu recomendo, que acredito que feita com alguma regularidade, pode melhorar e muito a nossa condição física e mental.


Antes de me ir embora do ginásio, ainda houve tempo para um jacuzzi e um banho turco, e o mais interessante desta última experiência é perceber que se vais com amigas para estes espaços, o mais provável é não conseguires relaxar.

 

Kiki…
O contexto era, para mim, um dos que mais valorizo atualmente: amigas, partilha, experiências e convívio. Lá estávamos nós, para experimentar esta nova modalidade! O desafio de explorar o desconhecido e experimentar coisas novas é, efetivamente, algo que me desafia e entusiasma.


No início a sensação foi de estranheza e insegurança. À medida que íamos entrando na sala, alguns alarmes de receio do desconhecido tocavam na minha mente: “Como raio é que vamos fazer exercício suspensas neste tecido?”, “Este bocadinho de pano vai aguentar connosco?”, “O mais certo é alguém esbardalhar-se no chão”…


Apesar do sentimento de estranheza inicial, o espírito de leveza ia-se interiorizando rapidamente. A Ana – instrutora – com a sua voz serena, sorriso simpático e gosto genuíno pela modalidade, foi transmitindo segurança e vontade de “brincar” com o pano.


Quando dei conta, estávamos a balouçar. Quem me conhece, sabe que é algo que, sem grande justificação, me dá prazer, me faz regressar à infância e me transmite sensação de leveza e liberdade. E foi exactamente isso que senti nesta aula, leveza e liberdade! Leveza na mente e no corpo. Liberdade de movimentos, de pensamentos, de sentimentos.


A descoberta da capacidade de movimentos e posições suspensas, a coragem descontraída de ficar pendurada no tecido de pernas para o ar, de ficar supensa pela cintura com as pernas e os braços no ar, o “mergulho” para cima do tecido (este foi o mais difícil), permitiram-me adquirir mais confiança no meu corpo e controlo sobre o mesmo, para além de uma libertação efetiva da mente e de tudo o que se passava cá fora.


As aulas Mind & Body nunca são uma primeira escolha, mas sempre que as experimento fico com vontade de voltar e sinto que a nossa relação com o corpo pode efetivamente influenciar em muito a nossa mente.


Duda…
A maioria de nós escuta pouco o corpo. Quando somos crianças nem há como pensar nisso, quando a puberdade invade e nos obriga a perceber que o corpo muda, saímos da ignorância para acharmos que somos invencíveis, é o tempo de podermos tudo, excedemos, testamos limites. Logo de seguida corremos desenfreadamente à procura sabe-se lá do quê e voltamos a ser alheios a essa escuta, nessa altura não há tempo sequer. Só mais tarde aprendemos a ouvir. Porque também se escuta de dentro para fora. Geralmente é quando percebemos que já se impõe correr mais devagar e o corpo mostra que também é o lugar onde a consciência habita.


Agora já oiço muito mais o que vem de dentro, por isso interessa-me tudo o que me revele e me permita (re)conhecer melhor o meu corpo. Nesta variante sem gravidade, como bicho sem asas que sou, sem chão o receio misturou-se com algum entusiasmo. Inverte – converte - segura mas solta. Corpo sereno, por vezes desastrado mas introspetivo. Vale a pena experimentar – para mim um desafio zen, como se quer, que não há corpo que aguente muito frenesim!


E porque falar de corpo é falar de movimento e movimento pode ser dança e dança beleza. Uma mulher que seguramente soube como transformar em beleza a gravidade do corpo: Pina Bausch.

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