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3 Pontos de Vista

Elas estão, ou não, fora de jogo?

Em dia de comemorações do vencedor do Campeonato Nacional...decidimos opinar sobre FUTEBOL!

Gostamos e sabemo-nos fazer rodear de um universo masculino, que também opina e que por enúmeras razões implicamos e envolvemos nas nossas divagações. Apesar de estarem nas bancadas, eles já não conseguem não ser a claque e nós queremos dar provas de que somos capazes de aceitar qualquer derby. Somos ou não capazes de falar de futebol? O que pensam três mulheres sobre este universo?

Em equipa o reconhecimento inegável do espaço que ocupa nos meios de comunicação social, nos momentos de ócio, nas conversas de café. É quase uma espécie de linguagem universal que permite a todos opinar e sermos treinadores decididos e tendenciosos, capazes de pôr em jogo com toda a veemência teorias, que muito pouco filosóficas, rematam diretamente à baliza.

 

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LOLA

Eu gosto de futebol…acho que sempre gostei. Desde sempre, que me conheço a ir ao Estádio da Luz ver o Benfica e a acompanhar o campeonato (não necessariamente a ver os jogos na TV), altamente influenciada pelos homens da família. Sinto-me capaz de identificar um fora de jogo, a diferença entre um derby e um clássico, sei o que é um passe de letra, um contra-ataque, o que é um lateral esquerdo, os nomes do plantel dos 3 grandes e respetivos treinadores e até sei algumas coisas do mercado de transferências.  

Quando vou ao estádio, vou com a panóplia de acessórios que se quer para este tipo de evento e gosto de vibrar como a maioria que lá está (também grito e salto da cadeira quando o Benfica marca). No meu clube tenho também os meus preferidos, e não pela cara bonita, calções justos ou pelos gémeos musculados.

Gosto de me reunir com amigos para ver os grandes jogos e até alinho nas cervejas e nos amendoins, mas no que respeita às discussões…dificilmente estarei nelas. Cada um puxa pelos seus e gostamos sempre mais dos nossos. Estar no mesmo espaço onde decorre uma discussão, apenas é tolerável se for moderada e no máximo dou 4 minutos de período de compensação.

Ah… o meu preferido é o Cristiano Ronaldo! (Aqui, não garanto a imparcialidade quanto aos calções justos e aos gémeos musculados).


KIKI

Futebol?!?! Não posso dizer que gosto, mas também não consigo afirmar que não gosto.

A preferência está na cor verde. Não sei explicar bem porquê, é de infância e tem outra classe… Influência de Pai e Tio!

Não vejo um jogo na Televisão. Nunca na vida! Nem percebo bem a vibração dos Homens nesses ajuntamentos de testosterona masculina, cujo objetivo é apenas olhar para um ecrã e ficar, pelo menos 90 minutos, a ver uns quantos homens a correr atrás de uma bola, enquanto ingerem umas quantas “jolas” e verbalizam umas quantas ofensas. Torna-se aceitável apenas se tivermos a torcer pela Seleção Nacional, a nossa pátria.

Sou, no entanto, moça para alinhar numa ida ao Estádio e gostar. Um espetáculo ao vivo é sempre outra coisa. Vibro com o ambiente, quanto mais perto da claque melhor, é um instantinho até começar a cantar e saltar com eles… E até tenho uns cachecóis do meu clube, acho uma graça! Não percebo bem o esquema tático, mas identifico o básico. Dá para perceber se estamos a ganhar ou a perder, mas ali o importante é mesmo viver o espírito. Ah, e também não deixa de ser interessante observar aqueles corpos masculinos de alta competição, com pernas esculturais e ombros pujantes, a lutar incansavelmente por uma oportunidade de colocar a bola na baliza…

Opinião incoerente? Não gosta, mas depois até gosta? Verdade! Sou mesmo assim! Dou sempre o benefício da dúvida e gosto de me adaptar aos contextos. Não deixa de ser um fenómeno cultural e sociológico.

Taticamente falando, digamos que jogo no meio campo…


DUDA

Não há como dizer isto de outra maneira – para mim é um cartão vermelho! Expulsão direta do meu quotidiano. Sempre que me perguntam o clube respondo como um nómada sem pátria: “nenhum!” Geralmente resulta em silêncio, o que é bom. Alguns mais persistentes ainda tentam e apontam a Seleção, mas derrotados e inconformados abandonam o assunto porque a crucificação já não é bem vista e é melhor ficar por ali.

Estou decididamente fora deste jogo, mas sei alguns nomes, reconheço os estilos dos cortes de cabelos, gosto de me surpreender com o português maltratado, acho uma graça à expressividade masculina dos jogadores após o momento do golo. Mas não acho graça nenhuma aos comentadores pseudo intelectuais com gravatas foleiras, que se abra um noticiário com uma fofoca de um jogador e se gastem milhões em estádios mausóleos (tirando o do Souto Moura que tem realmente muita pinta).

Antes do apito final assumir, a melhor coisa sobre futebol é o livro do Desmod Morris - A tribo do futebol, isso sim, um pontapé de saída! 

 

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