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3 Pontos de Vista

D'antes, brincar era assim...

LOLA, nos 90's

As brincadeiras de rua ainda fizeram parte da minha geração...brincávamos na rua, nas escadas, nas entradas dos prédios...e se havia coisa que também fazia parte, eram aquelas 50 vezes que chateávamos o Sr. João do café, para nos dar um copinho de água. Era desde manhã, até à noite, apenas com uma paragem à hora do almoço e para um lanche na casa de algum amigo.

Apesar de já ter apanhado o início das brincadeiras tecnológicas, vivi (e ainda bem) a maior parte delas, no largo com os meus amigos a fazer algumas coisas como...

- Brincar às escondidas
- Jogar aos Tazos
- Brincar ao Gato e ao Rato
- Jogar ao Macaquinho do Chinês
- Jogar o Jogo do elástico
- Tratar do meu tamagotchi
- Jogar ao STOP (jogo dos países)
- Jogar Mikado
- Jogar Tétris e depois Gameboy Color (Super Mário)                      

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KIKI, nos 80's

Sinto-me uma privilegiada, pois pertenço a uma geração que ainda cresceu na rua, de forma segura e saudável, mais precisamente nos agradáveis e espaçosos jardins de Belém. Éramos muitos, rapazes e raparigas, que, durante anos, diariamente se encontravam naqueles jardins e brincavam... D'antes, passávamos o tempo assim:

- Macaquinho do Chinês
- Escondidas
- Apanhada
- Sirumba
- só com o chão e uma pedrinha - o Jogo da Macaca
- só com o chão e uma bola - o Mata
- com a bola e uma parede - o Jogo dos Sete
- Com uma corda - Saltar à corda (sozinha ou em equipa)
- Com um elástico - o Jogo do Elástico
- Andar de Bicicleta
- Andar de patins em linha - a minha geração foi pioneira nisto  
E... de repente... surgiu o Game Boy

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DUDA, nos 70's

O tempo passava devagar porque havia tempo para tudo. Existia na essência a energia de quem experimenta o mundo sem o levar a sério – a vivência irreversível de brincar!

 

A rua era também um lugar e lá todos éramos um exército de vilões, mesmo aqueles que queriam ser “policias”. Na rua era mais fácil perceber como estava longe o mundo dos adultos. Com bola, e como rapariga, ficava-me pelo “sete” uma sequência de coreografias com uma bola, cujo tamanho não era importante, a missão repetir sete vezes sem perder o controlo da bola. Esta também podia ceder lugar ao “elástico”, a lógica quase a mesma – testar a performance física em alternâncias de pés e braços. Não dava para jogar sozinha eram precisos no mínimo três, dois a segurar e uma a tentar fazer melhor. 

 

Com o batalhão mais completo dava para jogar ao “lenço” – duas equipas em que a velocidade contava, quem agarrava mais vezes e mais depressa. Quando o cansaço já pedia o rabo no chão o “guelas” era uma alternativa; a hierarquia social medida pela quantidade de esferas de vidro que se conquistassem.

 

Num registo mais radical o “carrinho de rolamentos” – uma tábua, quatro rolamentos como rodas e uma corda a servir de volante. Procuravam-se as ruas inclinadas; nunca tive andei sempre à pendura. Talvez o melhor fosse o vento na cara, digo eu agora porque na altura qualquer objetivo era secundário o que interessava era o que ficava pelo meio – brincar é um fim por si mesmo.

 

Também se podia “correr” rumo ao infinito, que geralmente era um caixote do lixo ou um sinal de trânsito. As “escondidas” implicava definir o quarteirão – qual estratégia militar – e não valia tocar às campainhas e enfiarmo-nos nos prédios. A rua era o quartel da diversão! Na hora do plutão recolher as mães gritavam das janelas como comandantes, alternadamente, os nomes. Não se combinava o dia a seguir, porque o dia seguinte seria só mais um dia em que brincar tinha lugar.  

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