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3 Pontos de Vista

Ponto de Partida

Entre amigas há sempre espaço e tempo para conversas, fala-se de tudo e por tudo e por nada. Tirando partido dos nossos (supostos) atributos multitasking, pula-se, tal qual momento de zapping televisivo, de canal em canal ou, como quem diz, de assunto em assunto, com transmissão em banda larga e contornando airosamente o substantivo incoerência.

Do que se fala? Importará realmente!? Mais micro ou mais macro, o que importa é que o tema interesse, mesmo que não tenha interesse nenhum. O sexo, o amor, o trabalho, as rotinas, as dúvidas existencialistas, o que é bem visto e o que é mal visto.

Este foi o modo escolhido para materializar tudo isto e o que mais houver. Se importar as circunstâncias - e porque realmente nós mulheres damos muita importância aos detalhes -  a decisão e o nome surgem após um momento de amigas com massagem incluída e já era quase Natal, na rua cheirava a chuva e nas mãos uma chávena de chocolate quente. 

Três amigas-mulheres, três gerações, três modos diferentes (e em tanto semelhantes) de estar e sentir. Este é, por isso, não um espaço singular mas plural, virtual, aberto e de partilha, com lugar para exclamações, interrogações, reticências e certamente muitos pontos de vista. 

 

 

 

Aos 20...

LOLA, nascida um ano após a queda do muro de Berlim, urbana, de estado civil solteira, mas com um amor platónico pelo James Franco. Ocupada 40 horas semanais e outras tantas a trabalhar para ser alguém no mundo das “contas”. Agitada, teimosa, muito…dizem por aí, sensível…mas durona. Independente e sonhadora. Mulher de fé.
Agradecida pelas pessoas que entraram, mas também pelas que passaram pela minha vida.

Bem visto…música alta, chá quente, rir e fazer rir, estar com os amigos, comer e beber…nisto o que assenta é a cerveja e para o vinho gosto de um rosé. Praia, sol, pessoas, andar de mota, ideias próprias.

Mal visto… semáforos vermelhos, acordar cedo, deitar cedo, ficar sem bateria no telemóvel, a elíptica – essa “cabra” -, o meu cabelo em dia de chuva, inércia, aves, penas, espanadores com penas, brincos e fios com penas…qualquer coisa com penas…enfim, perguntei ao Google e ele diz que tenho Ornitofobia.

 

Aos 30...

KIKI, nascida no ano em que a Apple lançou o Macintosh, ano que sucedeu ao do início da comercialização do CD e da estreia cinematográfica de “E.T., o Extraterrestre”. Urbana, nascida na capital, mas com raízes Beirãs e Minhotas. Solteira, por circunstâncias da vida, apesar de namoradeira. Profissionalmente ocupada, 45 a 50 horas semanais, apesar das 35 contratualizadas, mas recetiva a novos projetos e desafios. Sonhadora de pés assentes na terra. Perfecionista – não é defeito, é feitio. Pragmática e cautelosa, com tendência para ponderar o lado A, B, C… Intuição apurada.

Bem visto… praticar os verbos gargalhar (ainda por cima dizem que faz bem à pele), esplanar (de janeiro a janeiro), programar, experienciar, viajar e amar… A energia positiva da Lua Cheia… Lindos dias de sol de inverno… Atos cavalheirescos e românticos… Sumol de laranja, maionese, chocolate, coco! Barbas! Compras! White wine!

Mal visto… Andar descalça e levar pisadelas… Peixe cozido e tudo o que sejam entranhas de animais… Dormir pouco! Demasiado calor! Atrasos! Multidões! Trampolins!

Aos 40...

DUDA é apenas uma forma de eu aparecer por aqui, a chegada ao planeta terra aconteceu dois anos antes do 25 de abril e assim sou javali no Zodíaco chinês. Sou mulher, sou mãe e outras tantas coisas pelo meio, pelo caminho conquistas e derrotas. Tive amores, desamores e, nessa matéria, agora um namorido (léxico inventado por uma amiga para a categoria namorado-com-quem-se-vive). Sou expressiva, conquistadora, sedutora e inquieta, contrabalanço com persistência e resiliência e por isso teimosia, caprichos de democrata-autocrata. Bebo de todas as fontes de sabedoria e não mato a sede em nenhuma. Sou yin e yang, sou contraste, sei-me eternamente incompleta e sempre à espera de um momento, mesmo que fugaz, de deslumbre!
 
Bem visto... a arte, os pequenos grandes nadas, as paisagens que nos tiram o fôlego, velas acesas depois das 7, uma boa conversa, um bom prato e um bom vinho - tinto de assinatura. 

Mal visto... barulho, trânsito, violência, futilidade (mesmo que bem vestida), elevadores, egos grandes, multidões, espaços apertados. Perder tempo com gente estúpida e desinteressante .